Tenho relembrado o que vivi há 12 anos, quando iniciei o meu caminho como terapeuta e formadora.
Era um caminho que fazia em primeira instância para poder ajudar alguém e me autodesenvolver nesse processo, tal como hoje o faço.
Investi muito do meu tempo, da minha energia, dos meus recursos financeiros, até, investi de todo o meu ser para poder viver esse início.
Lembro-me que ia de Santa Maria da Feira para Aveiro para fazer uma sessão individual, em que tirando a comissão que dava ao espaço e os custos de deslocação de carro não conseguia ter um rendimento, muito pelo contrário, investia do meu bolso para ir.
Mas ia e vinha de coração pleno de entusiasmo, alegria e gratidão pela oportunidade de ajudar alguém, pela oportunidade de evoluir como pessoa e no que tanto amava fazer.
E assim comecei, muitas vezes deslocava-me de comboio para Aveiro para conseguir ter um rendimento financeiro o pouco que fosse, e 1h30 de sessão transformavam-se em 4h de devoção, e sabes como me sentia? Sentia-me feliz por ter essa oportunidade!
Começar algo requer amor, paciência, fé, gratidão, dedicação a todos os níveis e a cada passo.
Agora, 12 anos depois,
posso dizer que recomeçar pode torna-se ainda mais exigente.
Porque já não há a inocência do início, há maturidade e há um estado que foi alcançado, que foi inativado e ao qual agora se quer regressar e ir ainda mais além.
Este regresso,
não é do zero como há 12 anos, mas é num estado “inferior” ao que vivi na maioria desses anos,
no qual tive a bênção de dar a mão a centenas de pessoas de todas as faixas etárias e em múltiplos estados internos e externos.
Tenho refletido e contemplado bastante a dinâmica da criação de algo a nível físico, mental, emocional, energético, e espiritual e posso dizer que é um caminho de muita transformação interna.
Quando se começa
tem-se ainda pouca consciência do que somos, das feridas e vulnerabilidades que temos e até do potencial que podemos viver.
Quando recomeçamos
sabemos o que fomos, as escolhas que fizemos, as feridas que curamos e as que ainda estamos a curar, temos um histórico repleto de dificuldades superadas e não superadas, de potenciais alcançados e horizontes alargados.
Somos mais maduros e por isso temos a capacidade de ficar em paz com as escolhas que fizemos, de honrar o momento em que escolhemos passar do muito para o zero e do zero para o reconstruir.
Precisamos de honrar a morte,
do que quer que seja, porque é um passo essencial para desfrutarmos ainda mais da vida.
É isso que o recomeçar me está a permitir fazer.
Quando decidi pôr em standby a minha ação de terapeuta e formadora não imaginei que fosse vir a ser tão profundo.
E quando comecei a sentir que era o momento de regressar, esse processo intensificou-se mais, e quando escolhi e agi para regressar intensificou-se muito mais ainda.
Desde que regressei
todos os dias vivo este processo de forma consciente, sinto-o a vibrar e brotar em cada parte minha e sei o quanto ele é profundo.
Não sei aonde me irá levar, mas sei que ele é essencial e isso é o mais importante, o processo é o cerne, o resultado um detalhe apenas.
O que é que esta partilha te faz sentir e ver ?
Cocriado com ♥
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